quarta-feira, 17 de outubro de 2012

"O PALHAÇO" CINEMA NACIONAL EM ALTA

Transformado em picadeiro para “O palhaço” brilhar, o Teatro Municipal fechou a noite de segunda-feira, dedicada à cerimônia do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, consagrando o longa-metragem de Selton Mello com 12 dos 13 troféus Grande Otelo a que estava indicado. Alçado à condição de blockbuster, ao vender cerca de 1,5 milhão de ingressos, a produção saiu da festa com vitória nas categorias melhor filme de ficção, diretor, ator (Selton), ator coadjuvante (Paulo José), roteiro original, fotografia, montagem, direção de arte, maquiagem, figurino, trilha sonora original e júri popular.


Tenho mais de 30 anos de carreira como ator e nem dez como diretor (o primeiro filme que dirigiu, o curta “Quando o tempo cair”, é de 2006). Um resultado como esse representa um “Segue em frente”, um “Vai aí” — diz Selton, mineiro nascido em Passos há 39 anos.

De quebra, ainda se ouviu gritar no palco “Agora só falta o Oscar”. Berrada por Plínio Profeta, autor da trilha sonora premiada, a frase fazia referência à escolha da comédia dirigida e estrelada por Selton para representar o Brasil na briga por uma indicação à estatueta da Academia de Artes e Ciências cinematográficas de Hollywood, em cujo evento de premiação anual a distribuição do Grande Otelo é inspirada.

— O que todo cineasta quer é fazer um filme capaz de agradar crítica e público, da elite ao porteiro. “O palhaço” é um caso desses — comentava o diretor Roberto Farias, presidente da Academia Brasileira de Cinema, responsável pelo Grande Prêmio, com o produtor Carlos Eduardo Rodrigues, o vice da instituição.

Honra aos mortos ilustres

Orçado em cerca de R$ 700 mil, o 11ª Grande Prêmio teve sua concepção artística feita pelo diretor teatral Ivan Sugahara. Ele assinou as duas festas mais famosas da láurea, ambas no Odeon, em 2003 e 2004, ano em que o diretor Cláudio Assis xingou o colega Hector Babenco de “imbecil”. Anteontem, ninguém xingou ninguém numa celebração audiovisual de quase duas horas e meia dedicadas a comemorar os 50 anos de carreira do cineasta Carlos Diegues.

Frases do diretor de “Deus é brasileiro” foram reproduzidas no palco pelos atores Cristina Lago, Cíntia Rosa e Erom Cordeiro, que apresentaram a premiação fantasiados como personagens famosos de Diegues, como Lorde Cigano, vivido por José Wilker em “Bye Bye Brasil”. Nos moldes do Oscar, houve até homenagens póstumas aos diretores Gustavo Dahl, Carlos Reichenbach e Paulo Cézar Saraceni.

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